A Sergipana
MARIA ISABEL DE AVELAR ELIAS, MISS BRASIL-MUNDO 1964
| Maria Isabel de Avelar Elias nas capas das revistas O CRUZEIRO e FATOS & FOTOS |
Era
uma quinta-feira, 27 de novembro de 1945, na cidade de Alfenas, sul de
Minas Gerais , distante 379 km de Belo Horizonte, quando uma garotinha
nasceu , para alegria de uma jovem senhora e de um respeitado e
prestigiado funcionário do Banco do Brasil. Aquela menina recebeu o nome
de MARIA ISABEL DE AVELAR ELIAS e estava predestinada a ser eleita a
quarta mulher mais bela do mundo de 1964. Dezenove anos depois, quando a
família morava em Aracaju ,cidade para onde o seu pai havia sido
transferido, aquela garotinha, agora uma jovem linda,inteligente,
simpática e cheia de classe e charme , aceitou convite para disputar o
Miss Sergipe. Foi eleita em 20/06/1964, no Iate Clube Sergipe, clube que
representava, derrotando quatro concorrentes : Miss Clube dos Diretores
Lojistas, Elza Góes Lisboa; Miss Universitários, Alda Maria Simonetti
Maia (eleita Miss Pernambuco no ano seguinte); Miss Lagarto, Lídia
Margarida Fontes e Miss Vasco Esporte Clube, Brasilina Chagas.
Vencida
a fase estadual, eis Maria Isabel no Maracanãzinho, na noite de
04/07/1964, diante de um júri exigente e de um público numeroso, na
disputa do Miss Brasil, ao lado de 23 misses. Na comissão julgadora
estavam: Pomona Polotis, Tônia Carrero, Acioly Neto, Mitzi de Almeida
Magalhães, Oscar Santamaría, Edite Piano Guimarães, Leão Veloso, Eda de
Luds, Hélio Beltrão, Edílson Varela e Justino Martins. A comissão
deveria apontar apenas oito finalistas, mas por exigência de Tônia
Carrero, que tinha gostado muito de Ana Maria Carvalhedo, Miss Ceará,
foi eleita mais uma. Por ordem de classificação, as nove finalistas
foram as representantes de Paraná (Ângela Tereza Pereira Reis Neto
Vasconcelos), Guanabara (Vera Lúcia Couto Santos), Sergipe (Maria Isabel
de Avelar Elias), Pernambuco (Ana Maria Costa Caldas), Rio Grande do
Norte (Neli Cavalcanti Padilha, a preferida de Ângela Vasconcelos),
Estado do Rio (Cecília Rangel Martins da Rocha), Rio Grande do Sul (Rosa
Maria Gallas), Minas Gerais (Marília de Dirceu Silva, dona de um rosto
que lembrava muito o da atriz italiana Sofia Loren) e Ceará (Ana Maria
Carvalhedo).
Na generosa edição sobre o concurso, a revista FATOS & FOTOS, de 11/07/1964, comentou:
“Qualquer
uma delas tinha classe para representar o Brasil. Nunca houve tantas
candidatas com tantas chances para arrebatar o título. 50 mil
espectadores, no Maracanãzinho, foram unânimes em aplaudir a decisão do
júri que consagrou Miss Paraná. Quando os jurados apontaram o nome de
Ângela Teresa Vasconcelos - uma carioca que reside há 15 anos no Paraná –
como a representante máxima da beleza brasileira em 1964, houve um
delírio no Maracanãzinho. Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara e
Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, foram as outras duas grandes
vencedoras.O público estranhou a ausência de Miss Pernambuco, Ana Maria
Costa Caldas.
“Antes do desfile, a maior torcida era a de Miss Guanabara. Quando Miss Paraná desfilou com seu vestido justo, bordado de pedrarias, encontrou uma rival. A eleição de Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, para o segundo lugar, estabeleceu polêmica entre o público. Mas Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, agradou em cheio para o terceiro lugar. Miss Paraná teve 96 pontos, na contagem final. A segunda colocada, Miss Guanabara, 79, e a terceira, Miss Sergipe, 70. Maria Isabel ficou satisfeita com o terceiro lugar. “Se eu tivesse no júri, também votaria em Ângela e Verinha.” – disse ela.”
“Antes do desfile, a maior torcida era a de Miss Guanabara. Quando Miss Paraná desfilou com seu vestido justo, bordado de pedrarias, encontrou uma rival. A eleição de Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, para o segundo lugar, estabeleceu polêmica entre o público. Mas Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, agradou em cheio para o terceiro lugar. Miss Paraná teve 96 pontos, na contagem final. A segunda colocada, Miss Guanabara, 79, e a terceira, Miss Sergipe, 70. Maria Isabel ficou satisfeita com o terceiro lugar. “Se eu tivesse no júri, também votaria em Ângela e Verinha.” – disse ela.”
No domingo, 05/07/1964,
quando a revista O CRUZEIRO promoveu o Baile da Coroação da Miss Brasil
no Santapaula Quitandinha Clube, em Petrópolis, prestigiado por 3 mil
pessoas, em depoimento a Hélcio Jose, publicado em O CRUZEIRO, de
1º/08/1964, Maria Isabel de Avelar Elias declarou:
“Meu sonho era conhecer a Europa. Parece que me preparei. Há 4 anos
estudo inglês, não com acento oxfordiano, porém no Instituto Brasil-
Estados Unidos. Agora vou cadenciá-lo britanicamente. Outro sonho meu é
ser pintora. Terminado este reinado de sonho e encantamento, vou
ingressar, quando voltar para Aracaju, na Escola de Belas Artes. E
seguir meu Normal (estou no 2º ano), cursar Filosofia – quero estudar
línguas neolatinas - prosseguir nos estudos de piano e acordeão,
freqüentar o Iate Clube, vir ao Rio passar minhas férias (como o faço
habitualmente) e finalmente concluir o conhecimento completo de todas as
capitais brasileiras :já viajei por todos os estados, à exceção do
Amazonas.”
Dona de uma beleza doce e tranqüila, Maria Isabel tinha 1,70m de altura,
92 cm de busto, 92 cm de quadris, 59cm de cintura, 59cm de coxa , 21 cm
de tornozelo,olhos castanhos, cabelos longos e um sorriso meigo e
simples. Fotografava muito bem, tanto que foi eleita a Miss Fotogenia do
Miss Brasil. Adorava doce-de-coco sergipano e levou para Londres seu
traje típico de vaqueiro, eleito o mais belo do Miss Brasil. Fazer e
manter amizades eram o seu forte e se tornou amiga da gaúcha Ieda Maria
Vargas, Miss Brasil e Miss Universo 1963, e de Maria Tereza Boblitz,
Miss Maranhão. Do seu modo, com muita tranqüilidade, preparou-se
intensamente para o Miss Mundo. Em uma bela casa situada na praia da
Atalaia, tomava banho de mar e piscina, fazia sauna e exercícios físicos
e relaxava indo com o pai e a mãe para assistir no cinema os filmes
policiais que adorava.
Para
satisfação de 100 milhões de brasileiros, população estimada no
primeiro ano da ditadura militar , em 12/11/64, 15 dias antes de
completar 19 anos de idade, Maria Isabel de Avelar Elias conquistava um
honroso quarto lugar no Miss Mundo, em Londres. Foi a melhor colocação
até então conseguida por uma brasileira naquele concurso. Concorrendo
com 41 candidatas, perdeu apenas para Ann Sidney, Miss Reino Unido,
(primeira colocada);Ana Maria Soria, Miss Argentina (segunda) e Miss
Taiwan, Linda Lin Su-hsing (terceira colocada); As outras finalistas
foram : Miss Nova Zelândia, Lyndal Ursula Cruikshank; Miss Itália,
Mirka Sartori; e Miss Jamaica, Erica Joanne Cooke, respectivamente
quinta, sexta e sétimas colocadas.
Maria
Isabel de Avelar Elias, a mineira de Alfenas que levou o nome de
Sergipe, o menor estado nordestino, para o mundo, deve guardar com
carinho as edições das revistas onde foi capa, como as que ilustram esta
matéria, O CRUZEIRO, de 1º/08/1964, e FATOS & FOTOS, de 03/10/1964.
E ao mostrá-las aos seus descendentes, com aquele mesmo sorriso simples
e doce de outrora, imagino que, com saudades e orgulho, deve falar
assim: - Esta sou eu, a quarta mulher mais bela do mundo de 1964.
Nenhum comentário:
Postar um comentário