quarta-feira, 4 de julho de 2012

Destaques na Conquista na área Jurídica.


Mulher, negra e juíza na Bahia.


Primeira mulher negra a se tornar juíza no Brasil, Luislinda Dias Valois dos Santos afirma que ainda existe muito preconceito no País

Texto: Marcela Rossetto Foto: Mônica Tagliapietra



O título de primeira mulher negra a se tornar juíza no Brasil é apenas um dos que a magistrada baiana Luislinda Dias de Valois Santos somou ao longo de sua carreira no Judiciário.
Aos 68 anos de idade, 26 anos de magistratura e 51 anos  de serviço público, inclusive na área federal, como procuradora autárquica, Luislinda já foi homenageada e premiada em diversas esferas públicas e entidades no País e no exterior pelos projetos de inclusão e acesso à Justiça desenvolvidos nas comarcas por onde passou - e foram 11, além da atual, na capital do estado, Salvador.

Consciente de que é parâmetro de sucesso para a raça negra, defende o sistema de cotas (mas não indefinidamente), acredita que a Lei contra o Racismo ainda não é muito bem utilizada e afirma que o preconceito existe, sim, no Brasil, apesar das tentativas de se esconder isso. "Quem quiser saber o que é ser negro, fique negro por apenas 24 horas" é sua máxima para quem duvida de que exista discriminação racial no País.
Luislinda Valois já foi vítima de preconceito no exercício da magistratura, mas afirma que com "simplicidade, lhaneza  e altivez" sempre resolveu essas situações. Seu único lamento - e desafio constante - é ainda não ter se tornado desembargadora no Tribunal de Justiça da Bahia.
Nesta entrevista concedida por e-mail à Visão Jurídica, a juíza Luislinda Valois fala de Direito, raça, preconceito e do seu modo de ver a vida. "Sou lutadora, tenho uma vida reta", afirma a magistrada que já recebeu as alcunhas de juíza maleira, porque não tinha espaço para trabalhar; juíza euquipe, porque não tinha funcionários e Ruy Barbosa de Saia, o que dispensa explicações.
Visão Jurídica - A senhora foi a primeira mulher negra a ser tornar juíza no Brasil. Qual o impacto disso na sua vida e na profissão?
Luislinda Dias de Valois Santos - Não levo em conta se sou a primeira ou a última mulher negra a ser juíza no Brasil. Para mim, o que interessa é ter coragem de dizer o que precisa ser dito a tempo e a hora. E isso eu faço porque sou totalmente independente, aliás, só dependo de Deus e dos meus Orixás. Minha vida e minha profissão sempre foram, são e serão pautadas no labor pelo bem da humanidade.
VJ - A senhora se considera um símbolo ou um exemplo para o movimento negro?
LDVS - Não sou nem uma coisa nem outra, apenas luto e lutarei enquanto forças tiver, para ver, não apenas o negro, mas todos os excluídos  - cadeirantes, gays, lésbicas, prostitutas, simpatizantes  - atendidos por políticas públicas reais e verdadeiras.
VJ - O que a motivou a escolher o Direito e a carreira da magistratura?
LDVS - Creio que fui estimulada a fazer Direito e depois tornar-me magistrada por causa das palavras discriminatórias do meu professor, que  tentou me fazer acreditar que eu seria uma boa cozinheira em virtude dos meus pais não terem comprado o material de desenho que ele havia indicado. Ditas palavras me chegaram aos ouvidos quando eu tinha apenas 9 anos de idade em plena sala de aula.
VJ - O Judiciário brasileiro é preconceituoso? Por quê?
LDVS - O Judiciário não é preconceituoso, apenas nos seus quadros existem, como em todas as esferas, profissionais preconceituosos.
Vale dizer que  o Judiciário brasileiro não tem o histórico de grande número de magistrados negros integrarem os seus quadros. A situação fica mais difícil quando  constatamos que durante a sua existência, pelo menos que eu saiba, nenhum Tribunal  pátrio teve um presidente negro, mas já  é perceptível que a situação está mudando, até porque o negro está mais unido e lutando pelos seus direitos,   sem esquecer suas obrigações e seus deveres.
Todavia, quero crer que muito em breve teremos  mais negros não apenas ocupando espaços de execução e apoio, mas  exercendo cargos de ministros de Estado, presidentes de Tribunais, governadores, prefeitos, presidente da República, senadores, executivos de empresas multinacionais, procuradores  etc., até porque também somos competentes; falta-nos apenas oportunidade.
Mas o Judiciário também está mudando. Aqui, ali e alhures já nos deparamos com magistrados negros

(ministros, desembargadores, juízes) atuando nesse grandioso e  indispensável poder.




Emília Corrêa 


Sergipana de Lagarto, filha de Jose Corrêa Sobrinho e Orlette Corrêa Santos, mãe de Rodrigo e Lara Correa, Defensora Pública do Estado de Sergipe, com atuação nas comarcas de Aracaju, Ribeirópolis, Lagarto nas areas cíveis, penais, juizados especiais, direito de família, direito do consumidor, e hoje, titular da  8ª Defensoria Criminal do 2º Tribunal do Júri da Comarca de Aracaju-Se, onde se destaca pela eficiente e brilhante atuação na tribuna do Juri.
Pós-Graduada em Direito Público
Atuou como Corregedora Geral da Defensoria Pública por duas vezes
Secretária Geral da Defensoria Pública  no período de 2002 a 2006
Ex-professora de Direito Constitucional na UNIT  
Conselheira da OAB, nas gestões dos Presidentes Dr. Cézar Britto e  do Dr. Manuel Cruz  
Presidente da 1ª Turma do Tribunal de Ética da OAB/Se
No cenário da TV CIDADE - Canal 20 , através do Programa Questão de Direito, onde esteve no ar durante 11 anos consecutivos, com registros de centenas de grandes


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